O vazio em frente à cachoeira da Fumaça exerce tal atração que a água se confunde e cai para cima. Na baiana Chapada Diamantina, as lembranças persistem. Há mesa de café abastecida e consumida coletivamente, patrimônio histórico neogótico, pão caseiro, caverna, carne de fumeiro, pastel de jaca, rio gelado, trilhas, falta de 3G ou música alta. É um lugar para deitar, praticar o “deboísmo” e conversar até sozinho. Ficar de boa, mesmo calado, deixa de ser irritante para o entorno quando a frequência é a mesma. É como se o motorista lento não ouvisse mais buzina.

O visitante já sabe que a quantidade de dias na Bahia será insuficiente, mas fazer o quê, é o que tem. Dá vontade de fazer tudo. Parece o primeiro planejamento de viagem à Europa, 40 países em 15 dias para “aproveitar que tá indo, sabe-se lá quando vai dar para voltar”. Praia agitada, praia deserta, trilha, fazenda, road trip, rafting, tour gastronômico ou centro histórico? Pouco importa. A sensação será a mesma. O lugar é inesquecível e inesgotável (se for uma vida só).

No interior, aipim e as carnes de sol e de fumeiro dominam cardápios. No litoral, a dupla coentro e dendê se impõe em restaurantes ditos obrigatórios. Pensar no custo-benefício de abrir e comer um caranguejo torna-se lateral com uma vista para a Baía de Todos os Santos. Pode tirar milhares de fotos, comprar fitinha do Senhor do Bonfim e todos os fui-à-Bahia-e-lembrei-de-você. Nada vai superar a lembrança dos gostos e cheiros de uma moqueca de camarão e polvo. Sem falar dos pés na areia.

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