Um pouco de um centro histórico do Rio, com muita história do Brasil.

Fala galera, tudo bem? Prontos para mais uma pequena amostra dos encantos da cidade maravilhosa? Então hoje nossa aventura vai te levar por caminhos e construções centenárias que fazem parte de fatos importantes da história do Brasil, pois o Rio de Janeiro foi a cidade que abrigou a família real e que de 1763 a 1960, quando mudou para Brasília. Também foi a capital do nosso Brasil, deixando um legado riquíssimo que hoje abrigam museus, Centros Culturais, Teatros, Igrejas, entre outros. Uma pequena amostra de tudo isso você vai curtir agora aqui no Fernandanças.

Antes de tudo, esse roteiro foi feito caminhando pelo centro do Rio, então talvez a sua experiência ao repetir nossas dicas seja um pouquinho diferente caso você opte em ir aos destinos por um meio de transporte. Mas pera aí! Caminhando pelo Rio? Isso mesmo, caminhar pelo centro do Rio é uma experiência fascinante e apesar de toda a questão que envolve segurança e marginalidade no Rio, é possível afirmar que caminhar durante o dia e em grupo, pode ser sim uma experiência segura. Nesta nossa experiência estávamos em um grupo de 5 amigos e não presenciamos nenhuma situação que nos colocasse em risco.

Nosso ponto de partida foi a Praça Floriano, na Cinelândia, que leva esse nome por ser uma região que se tornou referência de diversão popular nos anos 30, onde ali se instalaram dezenas de teatros, boates, bares e restaurantes, como também os cinemas, principalmente o Cine Odeon, o qual existe e funciona até hoje. Na praça Floriano ainda encontramos, entre outros, o Theatro Municipal inaugurado em 1909, a Biblioteca Nacional (1910), o Palácio Pedro Ernesto de 1923, onde funciona a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, o Supremo Tribunal Federal (hoje Centro Cultural Justiça Federal) de 1909 e o Edifício Wolfang Amadeus Mozart, o popular Amarelinho, de 1920, onde também funciona o restaurante Amarelinho, uma dica bem legal para quem procura um bom chopp e boa comida (peça pela porção de camarão).

Outra dica interessante na Cinelândia, para você poder conhecer as atrações citadas no parágrafo anterior, procure se informar dos horários e a necessidade ou não de agendamento. Fui pega de surpresa por essas questões, principalmente porque não consegui conhecer o Theatro Municipal. Então vai mais uma dica bem legal: va bem cedinho na bilheteria do Teatro para comprar o ingresso para o tour guiado e depois me conta como foi, beleza? As informações dos horários e bilheteria você encontra no site da Riotur.

Depois de apreciar e por em prática o conhecimento adquirido da Faculdade de Artes para identificar as belas arquiteturas neoclássicas, Art Nouveau, Ecléticas, Art déco, entre outras da Cinelândia, partimos então em direção ao nosso destino do dia, o Paço Imperial. Para tanto fomos caminhando da Praça Floriano em direção a Avenida Nilo Peçanha até a Praça Mario Lago, ou como é conhecida no Rio, o Buraco do Lume. Da praça, continuamos a andar pela Nilo Peçanha até virar a esquerda na Rua da Quitanda, onde caminhamos até virar a direita na Rua da Assembléia. Desta, andamos em frente até chegar a Avenida Presidente Carlos ficando de frente com a Assembléia Estadual do Rio de Janeiro, ou o Palácio Tiradentes, a qual está ao lado do Paço Imperial.

Mas antes de contar nossa experiência no Paço Imperial, vale a pena falarmos um pouco dos arredores deste lugar. Nossa, e que lugar para quem gosta de história, arquitetura clássica e Arte Sacra.

Iniciando pelo Palácio Tiradentes, ao lado direito do Paço Imperial, prédio este construído em 1926 para abrigar a Câmara Federal a qual ali funcionou até 1960, quando passou então a ser a Assembléia Legislativa do Estado. Porém, antes de ser construído essa bela construção de estilo eclético (você pode fazer um tour virtual neste link), era o local de um outro prédio importante para a história do Brasil: Durante o Brasil colônia, ali funcionava o parlamento, um prédio de dois andares onde trabalhavam os responsáveis pela cidade, e onde também funcionava a cadeia, também conhecida como “cadeia velha”. Foi nessa cadeia que Tiradentes ficou preso por três anos até ser enforcado em 21 de Abril de 1792.

Já no Brasil Imperial, neste mesmo prédio também foi aprovada a Lei Áurea em 1888. Em 1922 a “cadeia velha” foi demolida para dar lugar ao atual Palácio Tiradentes, assim nomeado em homenagem ao grande personagem da Inconfidência Mineira. A visitação ao Palácio é gratuita e a visita guiada pode ser agendada no site do palácio.

No lado esquerdo do Paço Imperial está a Praça XV com seu famoso panteão do General Osório, um busto em homenagem a esse oficial brasileiro da Guerra do Paraguai.

A frente da praça XV esta uma ótima opção para se conhecer: a Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, a antiga Capela Imperial, e a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, a direita na foto abaixo.

Construída entre os anos de 1781 a 1816, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé,que possui um estilo rococó, foi o palco de alguns dos mais importantes momentos dessa história, como a coroação de Dom Pedro I e Dom Pedro II, além de cenário dos casamentos reais, como por exemplo o casamento da Princesa Isabel e o Conde d’Eu. Nessa Igreja, que a partir de 1808 passou a ser a Capela Imperial, também foram realizados batismos de príncipes e princesas da família real. A foto abaixo mostra a Pia Batismal onde foi batizada a Princesa Isabel.

No interior da Igreja em um jazigo situado abaixo de uma das Capelas da Igreja, a do Santíssimo, se encontram depositados em um jazigo parte dos restos mortais de uma pessoa muitíssimo famosa na história do Brasil: Pedro Álvares Cabral, o português que em 1500 chegou ao Brasil. Infelizmente, não podemos entrar no jazigo por motivos de manutenção, mas é uma das opções que a Igreja fornece aos seus visitantes, além é claro do interior da Igreja que é um dos mais lindos que já tive a felicidade de conhecer.

Por fim, chegamos ao Paço Imperial. Inaugurado em 1743, como a Casa de Governo o Rio de Janeiro, o Paço Imperial sofreu diversas alterações em sua estrutura original. Com a vinda da Família Real para o Rio de Janeiro, a então Casa dos Vices-Reis, passou a ser chamada de Paço Real sendo usada como casa de despachos do Rei D. João VI. Com o Império, o Paço passou a ser chamado de Paço Imperial, onde foi a vez de D. Pedro I e, logo após, D. Pedro II a utilizarem como casa de despachos administrativos e residência eventual.

Foi no Paço Imperial que  ocorreram muitos acontecimentos marcantes para a história do Brasil. Foi lá que D. Pedro I decidiu ficar no Brasil e não voltar a Portugal, o histórico Dia do Fico. Lá, também, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea. Aliás, foram esses dois momentos da história do Brasil que chamaram muito a atenção da gente quando decidimos ir até o Paço Imperial para conhecer o palco desses dois fatos históricos. Porém, foi até meio decepcionante de constatar que a administração atual do Paço Imperial não faz menção a esses locais no interior deste prédio histórico.

Atualmente, o Paço Imperial é um Centro Cultural onde ocorrem mostras dos mais variados tipos (pintura, fotografia, escultura, cinema, música, etc). No Paço ainda existe uma biblioteca voltada para arte e arquitetura, a Biblioteca Paulo Santos, uma livraria que possui um acervo comercial bastante interessante e um restaurante. Fica aqui um apelo desta amante da história brasileira para que o Paço de uma atenção maior a história que ainda vive neste local. O horário de funcionamento é de terça a domingo das 12 as 18 horas e a entrada é franca.

Após o Paço Imperial, nosso próximo destino foi o Museu do Amanhã. Mas esse destino você vai conhecer somente na próxima semana. Grande abraço!

 

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